20.8.10

No Brasil, policiais e bombeiros fazem baderna no Congresso Nacional


Por ANTONIO CARLOS LACERDA
Correspondente Internacional, Zwela Angola

BRASILIA (BRASIL) - ZWELA ANGOLA – Cerca de 200 policiais militares, bombeiros e agentes se segurança penitenciária de todos os Estados do Brasil invadiram o Congresso Nacional, em Brasília, Capital Federal, entraram em luta corporal com a Polícia Legislativa e fizeram uma baderna generalizada, quebrando portas, vidros, danificando móveis, proferindo palavras de ordem e ameaças aos deputados, visando a aprovação de um piso salarial único em todo o País para eles.

Até spray de pimenta e choque elétrico teve de ser usado pela Polícia Legislativa para tentar acabar com o quebra-quebra promovido por policiais militares, bombeiros e agentes penitenciários.

Os policiais militares e os bombeiros querem um piso salarial igual aos seus colegas de Brasília, Capital Federal, conforme determinada a Proposta de Emenda Constitucional (PEC) 300, em discussão na Câmara dos Deputados. Já os agentes penitenciários que ser reconhecidos como policiais penais, através da votação e aprovação da PEC 308.

Atualmente, no Brasil, existe uma disparidade muito grande entre o piso salarial das polícias militares e bombeiros estaduais. O mais alto é o de Brasília, Capital Federal, onde um soldado, o mais baixo posto, em inicio de carreira, ganha R$ 4.056,59 por mês, e um coronel, o mais alto posto, R$15.355,85. A disparidade é que gerou a revolta dos policiais e bombeiros em todo o Brasil.

Os agentes penitenciários se meteram nessa confusão porque a PEC 308, que está no bojo da pauta de votação da Câmara dos Deputados, os reconhece como polícia penal.

Nos estados, informações de bastidores dão conta que os deputados federais que estiverem presentes no esforço concentrado terão de votar e aprovar, de qualquer jeito, um piso salarial único em todo o Brasil para policiais militares e bombeiros, além de reconhecer os agentes penitenciários como policiais penais, sob pena de levarem uma surra.

Em plena campanha eleitoral, os deputados federais tinham prometido retornar a Brasília para, no último encontro antes das eleições de outubro próximo, discutirem e votarem, entre outros assuntos, um piso salarial único nacional para policiais militares e bombeiros e reconhecerem os agentes penitenciários de todo o Brasil como policiais penais.

Mas, agora, depois da invasão do Congresso Nacional, do quebra-quebra, das agressões físicas e da violência registrada em fotos e vídeos, muitos deputados certamente não irão correr o risco de levar uma surra à vista dos eleitores e perderem as eleições.

Com isso, já se fala que a votação do piso salarial único em todo o Brasil para policiais militares e bombeiros e o reconhecimento dos agentes penitenciários como policiais penais, antes das eleições de outubro próximo, está praticamente descartada.

Na pauta do chamado esforço concentrado está a votação das PECs 300 e 308. A primeira institui o piso salarial nacional para policiais militares e bombeiros; e a segunda reconhece os agentes penitenciários de todo o País como policiais penais. Mas, a obstrução feita pelos partidos de oposição pode prejudicar a votação.

Enquanto isso, o Governo quer votar três Medidas Provisórias, entre elas a 487/10, que perde a eficácia em 5 de setembro próximo. Nessa MP é que reside a polêmica, por tratar de três temas, dos quais o mais importante é a transferência de R$ 80 bilhões do Tesouro Nacional para o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), que já havia recebido R$ 44 bilhões em 2009, por meio da MP 465. Nos dois casos, segundo o governo, o objetivo é ampliar o limite de financiamentos de projetos de longo prazo do setor privado.

O primeiro turno da PEC 300 foi aprovado pela Câmara em 6 de julho deste ano, após quatro meses de discussões do texto-base, quando policiais e bombeiros de todo o Brasil tomaram as dependências da Câmara Federal, em Brasília, onde encurralaram os deputados que, na marra e emparedados, votaram a favor de um piso salarial nacional para a categoria.

Foram 349 votos favoráveis, nenhum contra e nenhuma abstenção. Pela proposta, não haverá valor do salário na Constituição. Além disso, o piso salarial e o fundo que vai garantir o benefício serão definidos em lei complementar, a ser enviada ao Congresso em até 180 dias após a promulgação da emenda.

Originalmente, a proposta previa o piso salarial provisório a policiais e bombeiros militares, de R$ 3,5 mil para praças e R$ 7 mil para oficiais. Proposta para beneficiar mais de 700 mil policiais e bombeiros, a PEC 300 colocou contra a parede os principais partidos políticos.

Tanto o governo federal quanto os governos estaduais faziam restrições à proposta em razão do seu elevado impacto na folha de pagamento, estimado em mais de R$ 3,5 bilhões por ano.

Entretanto, toda a pauta do esforço concentrado na Câmara pode naufragar caso a oposição mantenha sua obstrução. Os oposicionistas só aceitam votar as medidas provisórias de interesse do Governo se for colocado na pauta o projeto que regulamenta a Emenda 29, que fixa os percentuais mínimos a serem investidos anualmente em saúde pelo Governo Federal, por estados e municípios.

A emenda obrigou o Governo a investir em saúde, em 2000, 5% a mais do que havia investido no ano anterior e determinou que nos anos seguintes esse valor fosse corrigido pela variação nominal do PIB.

Os estados ficaram obrigados a aplicar 12% da arrecadação de impostos, e os municípios, 15%. Trata-se de uma regra transitória, que deveria ter sido extinta em 2004, mas continua em vigor por falta de uma lei complementar que regulamente a emenda.

O presidente da Confederação Nacional dos Municípios (CNM), Paulo Ziulkoski, disse que as cidades estão sobrecarregadas por investirem mais em saúde do que o exigido na legislação (12%), enquanto o Governo Federal e a maioria dos estados reduziram investimentos.

“Desde 2008, o governo federal, por exemplo, deixou de investir R$ 57,7 bilhões em Saúde”, afirmou Ziulkoski. Levantamento da entidade aponta que as prefeituras colocaram R$ 81,1 bilhões a mais do que o previsto na área.

O presidente do Sindicado dos Funcionários do Sistema Prisional de São Paulo, João Reinaldo Machado, disse que a invasão foi motivada pelo descumprimento de um acordo entre a categoria o líder do governo, deputado Cândido Vaccareza, e o presidente da Câmara, deputado Michel Temer, candidato a vice-presidente da República na chapa de Dilma Rousseff.

“Devido à queda de braço entre governo e oposição, eles faltaram com a palavra e não colocaram em votação o texto da PEC como havia sido combinado”, disse Machado.

O presidente da Confederação Brasileira de Trabalhadores de Policiais Civis, Jânio Bosco Gandra, afirmou que os policiais pretendem acampar no local. “Não vamos sair. Se a polícia vier, vamos deitar no chão”, disse.

De acordo com o coordenador do movimento em favor da PEC 308, Fernando Anunciação, o grupo não tinha intenção de "criar confusão" com os policiais legislativos. “Depois de uma reunião com integrantes do movimento, nós decidimos acampar em frente ao Plenário como forma de protesto. A gente queria um ato pacífico, mas a polícia não deixou a gente entrar e houve o enfrentamento”.

Por ANTONIO CARLOS LACERDA
ANTONIO CARLOS LACERDA é jornalista correspondente internacional da Imprensa Estrangeira no Brasil.
Autor do Coluna, "O Mundo sem Fronteiras" no Zwela Angola

5.7.10

Panorama Das Exportações Brasileiras


Por Sergio Dias Teixeira Junior
Colunista, Zwela Angola
Sergio Dias Teixeira Junior é professor universitário, nas Universidade Mogi das Cruzes e universidades de São Paulo, Brasil


A abertura mercadológica da década de 90 promoveu um crescimento econômico sem precedentes para o país.

É inegável que a modificação na condução da política econômica internacional do país alterou significativamente a postura do empresariado brasileiro mudando a visão de negócios que havia até então.

A competitividade internacional no Brasil era questionável uma vez que vários setores industriais brasileiros permaneciam confortáveis sob o manto protecionista dos governos passados.

A política de comércio exterior e cambial da época dificultavam o investimento em tecnologia de ponta e marginalizavam alguns setores da economia, que poderiam ter uma participação mais significativa na corrente do comércio exterior brasileiro e cujo resultado foi o sucateamento de grande parcela do parque industrial do país.

Foi com a abertura mercadológica, produzida pelo ex governo Fernando Collor de Mello, que o cenário se alterou sensivelmente, com maior evidência nas exportações, criando inúmeras oportunidades de negócios e promovendo a inserção de novos exportadores neste mercado promissor.

Com base na nova realidade econômica internacional do país, faz-se necessário destacar os principais indicadores da balança comercial com o intuito de comentar o Panorama das Exportações Brasileiras.

Segundo dados estatísticos divulgados no site do Ministério da Indústria Desenvolvimento e Comércio Exterior as exportações brasileiras, de 1999 a 2009, cresceram 218,65% apesar da redução de 22,7% em relação ao ano de 2008.

O Brasil está em 22º lugar na lista dos maiores exportadores do mundo tendo atingido a cifra de US$ 153 bilhões no ano passado.

O saldo comercial, que traduz a diferença entre o resultado das exportações e importações brasileiras, teve uma evolução da ordem de 1630,2% no período de 2001 a 2006, apesar de estar em declínio a partir de 2007.,

De 2006 a 2009 a queda no saldo comercial foi da ordem de 45,436%, fato este atribuído ao crescimento das importações brasileiras e mais recentemente a crise financeira mundial no 2º semestre de 2008.

As exportações brasileiras, apesar da sua evolução contínua a partir de 2000, apresentam uma participação ínfima se comparadas as exportações mundiais com aproximadamente 1,28% em 2009.

A representatividade das exportações brasileiras, no produto interno bruto, tem se comportado de forma decrescente a partir de 2005 atingindo 9,72% em 2009.

As exportações mensais do ano passado foram inferiores se comparadas a 2008 devido a crise financeira internacional chegando em dezembro passado ao mesmo patamar dos valores do final de 2008.

O universo das empresas exportadoras brasileiras, que a partir de 2004 mantém uma média aproximada de 20.814 empresas, revela um dado interessante no que diz respeito aos seus respectivos portes, pois 48,3% das participantes são micros e pequenas empresas.

O restante está dividido entre pessoas físicas, médias e grandes empresas nas quais estas últimas representaram 94,2% do valor total exportado pelo país no ano de 2008.

No que tange as micros, pequenas e médias empresas, estas participaram com 1,2% e 4,5% respectivamente do valor exportado no referido ano.

Essa tendência tem prevalecido a anos no Brasil fazendo com que a concentração de exportações nas grandes empresas represente um dado preocupante já que se trataram de, aproximadamente, 5.508 empresas em 2008.

Também evidencia uma política de comércio exterior claramente direcionada as indústrias de grande e médio portes em detrimento do número maior das micros e pequenas empresas e que não tem acesso aos incentivos do governo devido a razões de ordem burocrática dentre outras.

Com relação as exportações por valor agregado, no ano de 2009, o Brasil vendeu ao exterior uma pauta diversificada de produtos dos quais 44,% são manufaturados, 40,5% de básicos e 13,4% de semimanufaturados.

Se a princípio essa informação é saudável para o país, precisa ser analisada com mais cuidado do ponto de vista qualitativo pois não se refere, necessariamente, a itens de alta intensidade tecnológica. Pelo contrário, a concentração de itens exportados está localizada em mercadorias de baixa e média-baixa intensidade tecnológica cuja participação percentual chegou 65,3% em 2009.

Os cinco estados brasileiros com maior representatividade nas exportações de 2009 estão localizados nas regiões Sudeste e Sul. A participação acumulada deles chegou a 66,66% em 2009 com destaque para São Paulo com 27,76% desse total.

Ao se verificar a participação dos demais estados da União percebe-se que as regiões Centro Oeste, Norte e Nordeste não tem expressão significativa nas exportações do país contudo, alguns dos estados que mais cresceram nas exportações em 2009, comparativamente a 2008, estão nas referidas regiões.

Mais uma vez nos deparamos com uma realidade perigosa que denota a deficiência de uma Política de Comércio Exterior mais equilibrada no país pois acaba privilegiando as regiões mais ricas.

China, Estados Unidos e Argentina foram os destinos de quase um terço das exportações brasileiras em 2009.

O Brasil tem feito esforços para pulverizar as suas exportações e diminuir a dependência dos países denominados tradicionais, através do crescimento constante no destino das vendas internacionais direcionadas a países tais como Bahrein, Benin, Luxemburgo, Moldavia, Madagascar, Montenegro e outros.

Do ponto de vista regional, a Asia foi o destino de 25,8% das exportações brasileiras.
A América Latina e Caribe representaram 23,3% do destino das exportações brasileiras em 2009, dos quais o Mercosul obteve o percentual de 10,3%.

Para a União Européia o Brasil destinou 22,2% do total exportado no ano passado, o que somado a América Latina e Caribe chega a 45,5% das exportações brasileiras para as duas regiões.

Após apresentar os dados do Ministério da Indústria Desenvolvimento e Comércio Exterior, fica fácil entender o Panorama das Exportações Brasileiras e as deficiências nas políticas de comércio exterior conduzidas pelo governo.

Não resta dúvida de que o governo muito contribuiu para uma mudança positiva das exportações brasileiras, porém há muito o que se fazer para obter-se uma performance mais satisfatória nas vendas internacionais. Uma delas se refere a promoção de políticas de comércio exterior direcionadas as micros e pequenas empresas uma vez que estas possuem uma realidade distinta das demais.

Também é necessário repensar o desenvolvimento dos estados brasileiros do ponto de vista das exportações, a fim de potencializar seus resultados de acordo com suas regionalidades.

Por fim o governo precisa continuar estimulando a participação de mais empresas no comércio exterior brasileiro, particularmente nas exportações, através de processos contínuos de desburocratização e investimentos em infraestrutura preparando o país para os novos desafios que virão mas que, com certeza, abrirão novas perspectivas de crescimento econômico.

Por Sergio Dias Teixeira Junior
Colunista, Zwela Angola
Sergio Dias Teixeira Junior é professor universitário, de comércio exterior e logística internacional na Universidade Mogi das Cruzes e universidades de São Paulo, Brasil. Ele é membro do Grupo de Estudos de Comércio Exterior - GECEU.

30.6.10

Prisão de espiões pode esfriar novas relações entre EUA e Rússia

Por ANTONIO CARLOS LACERDA
Correspondente Internacional

Brasília, Brazil (Zwela Angola) -A prisão de dez supostos espiões russos nos Estados Unidos a serviço da Rússia leva a crer que Washington e Moscou estão pré-destinadas a serem eternas adversárias em uma Guerra Fria sem fim, apesar de ligeiras tréguas, gentilezas e cortesias, que chegam a dar ao mundo relampejos de que finalmente haverá a tão sonhada paz social entre os povos de toda a Humanidade.

Semanada passada, por exemplo, o mundo voltou a imaginar que a tão desejada, sonhada e acalentada paz mundial iria ser alcançada por conta do encontro entre os bem intencionados presidentes Barack Obama, dos Estados, Unidos; e Dmitry Medvedv, da Rússia, na Casa Branca, em Washington, que selou o fim da Guerra Fria entre as duas potências.

Só que o sonho durou menos de uma semana. A prisão de dez supostos espiões russos jogou por terra o sonho da paz social no mundo, que estava sendo cuidadosamente conduzido por Obama e Medvedv, e acompanhado pela diplomacia mundial.

Semana passada, ao afirmar que “o mundo está mais seguro quando os Estados Unidos e a Rússia se dão bem", garantir que qualquer barreira técnica que possa existir contra a entrada da Rússia na Organização Mundial do Comércio “deve ser superada rapidamente” e enfatizar que “a Rússia pertence à OMC", o presidente americano, Barack Obama, colocou um fim, junto com o presidente russo, Dmitry Medvedev, na guerra fria entre as duas potências mundiais, semana passada, em um encontro que tiveram em Washington.

O encontro, que ocorreu na Casa Branca, em Washington, nos Estados Unidos, foi regado de informalidade, descontração e extremamente amistoso entre os presidentes Dmitry Medvedev e Barack Obama, iniciando um novo tipo de relacionamento bilateral entre Estados Unidos e Rússia.


"Insisti com Medvedev que não é só interessante para os EUA e a Rússia o seu ingresso na OMC, mas para todo o mundo. Temos de fazer o possível para concluir o acordo no mais breve prazo", disse Obama.

As novas relações entre Estados Unidos e Rússia estavam tendo uma conotação tão informal e amistosa que os dois presidentes foram, juntos, a uma lanchonete popular nos arredores de Washington, comer hambúrguer com batatas fritas, em meio a pessoas anônimas e retornaram à Casa Branca no mesmo carro, numa demonstração pública da amistosidade que passa existir entre os dois presidentes.

A lanchonete onde os dois líderes resolveram almoçar, de surpresa, fica em Arlington, Virgínia, vizinha de Washington. Obama e Medvedev se acomodaram em uma mesa de dois lugares e pediram hambúrguers. Obama acompanhou seu lanche de um chá gelado e Medvedev preferiu uma Coca-Cola.

Embora ainda existam algumas questões que os dois países alimentam discordâncias recíprocas, o presidente americano afirmou que os Estados Unidos apóiam plenamente a entrada da Rússia na Organização Mundial de Comércio (OMC).
Em uma clara e direta afirmação de que a segurança da humanidade depende do entendimento, da amizade e da confiança recíproca entre as duas potências, Barack Obama enfatizou que "O mundo está mais seguro quando os Estados Unidos e a Rússia se dão bem".

Já há algum tempo a Rússia deseja entrar para a OMC, mas os Estados Unidos insistiam que Moscou deveria garantir os direitos de propriedade intelectual. Entretanto, agora, Obama afirmou que qualquer barreira técnica à entrada da Rússia na OMC será rapidamente superada.

Medvedev e Obama também concordaram em enviar mais ajuda ao Quirguistão, depois dos conflitos étnicos que ocorreram, e o líder russo chegou a dizer que o país está vulnerável a "elementos radicais" e a situação poderá "degenerar". "Estamos muito preocupados com estas condições, os radicais podem chegar ao poder", afirmou o presidente russo.

Os dois líderes também destacaram a cooperação na luta contra o terrorismo e reiteraram o compromisso para ratificar um tratado assinado em abril para reduzir armas nucleares.

Depois de anos de relações frias, Obama afirmou que discussões como essas, com o governo russo, seriam improváveis 17 meses atrás. "Quando assumi a presidência, a relação entre Estados Unidos e Rússia tinha ido talvez para seu ponto mais baixo desde a Guerra Fria. Havia tanta desconfiança e tão pouco trabalho real em questões de interesse comum."

Durante encontro, na Casa Branca, Barack Obama e Dmitri Medvedev chegaram a fizer brincadeiras sobre o famoso telefone vermelho da época da Guerra Fria, substituído, agora, pelo Twitter, que os dois presidentes estão usando para conversarem diariamente sobre problemas mundiais.

Ainda no encontro na Casa Branca, Obama insistiu em dizer que o presidente Medvedev “é um parceiro sólido e "confiável", e enumerou os sucessos da política externa americana e russa nos últimos meses, desde a votação sobre sanções ao Irã na ONU até a conclusão de um novo tratado Start de desarmamento nuclear.

Obama afirmou, também, que iria acelerar o ingresso de Moscou na OMC, agradeceu a Medvedev por ter solucionado um conflito comercial entre ambos os países sobre exportações de aves americanas e anunciou que uma estatal russa estaria para comprar 50 aviões Boeing, avaliados em 4 bilhões de dólares, o que pode criar até 44 mil postos de trabalho na economia americana.

Empresários americanos e russos também se reuniram em Washington, por causa do interesse do presidente russo em atrair investidores para ajudar desenvolver um setor de alta tecnologia do seu país.

Dmitry Medvedev visitou a sede do Twitter e abriu uma conta em nome do Kremlin, que até o encerramento desta matéria, em 28/06/2010, já tinha mais de 40 mil seguidores. Junto com Medvedev, Obama disse: "Eu também tenho uma conta e, talvez, possamos pôr um ponto final nos telefones vermelhos que ficaram tanto tempo por aqui", no que foi apoiado pelo presidente russo.

Logo após o almoço na lanchonete nos arredores de Washington, o presidente russo disse a jornalistas e populares que o abordaram: "Almocei com o presidente Barack Obama num local interessante, tipicamente americano. Não sei se foi bom para nossa saúde, mas foi muito gostoso, e pude sentir o espírito da América".

O presidente russo saudou o "sucesso" da Cúpula sobre Segurança Nuclear, em Washington, e a "mudança de ambiente" nas relações entre Rússia e Estados Unidos. "Seguiremos trabalhando com os Estados Unidos nos problemas globais mais importantes", disse o líder russo, assinalando que Moscou também está preparado para virar a página da tensão com Washington.

Dmitry Medvedv, entretanto, estipulou 30 de setembro como prazo máximo para a conclusão das negociações bilaterais com os EUA para o ingresso da Rússia na OMC. A Rússia terá ainda de fechar acordos similares com seus outros principais parceiros comerciais e assumir os compromissos de incorporação das regras da OMC que, em muitos casos, se confrontam com a legislação nacional em vigor.

O Retrocesso

Quando tudo parecia ir às Mil Maravilhas, um verdadeiro Sonho de Fadas a caminho da paz mundial, com o fim da Guerra Fria entre Moscou e Washington, o Departamento de Justiça dos Estados Unidos anunciou a prisão e o indiciamento de onze pessoas suspeitas de espionar em favor da Rússia no território americano.

O anúncio da prisão provou um enorme retrocesso nos esforços dos presidentes Barack Obama, dos Estados Unidos; e Dmiry Medvedv, da Rússia, que tinham posto fim à Guerra Fria entre as duas potências.

Os supostos espiões russos são acusados de envolvimento em uma operação secreta de longo prazo orquestrada por Moscou. Segundo o FBI, a Polícia Federal Americana, os supostos espiões receberam treinamento do SVR (o serviço secreto russo) em línguas estrangeiras com o uso de códigos.

Uma vez em solo norte-americano, os supostos agentes russos assumiram nomes fictícios e missões "profundamente encobertas" com o objetivo de se "americanizarem" e reunirem informações sobre os EUA.

Além disso, recrutaram potenciais fontes "nos círculos de formulação de polícia" dos EUA, segundo os documentos apresentados pelo FBI à justiça federal norte-americana em Nova York. Os suspeitos foram acusados formalmente de conspiração para atuar como agente de um governo estrangeiro.

Por sua vez, a Rússia afirmou que prisão dos espiões nos EUA é versão infundada e o caso lembra o tempo da Guerra Fria. "Em nossa opinião, tais ações não tem em absoluto qualquer fundamento e são mal intencionadas", afirmou uma fonte da diplomacia russa.

“As prisões de supostos espiões a serviço da Rússia nos Estados Unidos são uma versão "infundada e mal intencionada" e recordam a época da Guerra Fria”, declarou em comunicado o ministro russo das Relações Exteriores da Rússia, Seguei Lavrov.

Um porta-voz do Ministério das Relações Exteriores da Rússia considerou que existem muitas contradições nas informações sobre a detenção de supostos agentes do SVR. Segundo o chanceler russo, Serguei Lavrov, Moscou está à espera de explicações sobre a detenção desses supostos espiões. "Não nos explicaram do que se trata. Espero que expliquem", disse Lavrov.

Segundo o Departamento de Justiça americano, os dez supostos espiões russos foram presos após terem realizado uma "missão clandestina de longo prazo nos Estados Unidos em nome da Federação Russa".

Em sua primeira reação ao escândalo, o ministério russo das Relações Exteriores descreveu como contraditórias e sem fundamento as acusações de que os espiões passaram ao menos dez anos reunindo informações sobre armas nucleares, o mercado de ouro e até mesmo mudanças de pessoal da CIA, a Central de Inteligência Americana.

Seguei Lavrov, chanceler russo, criticou o momento escolhido pelos EUA para a operação, meses depois de um amplo esforço diplomático do governo de Barack Obama para "resetar" a esfriada relação bilateral, e considerou a ação um retrocesso rumo ao status da Guerra Fria.

"Tais ações são sem fundamento e impróprias. Nós lamentamos profundamente que tudo isso tenha acontecido nos bastidores da retomada de relações declarada pela administração americana", disse o chanceler russo em um comunicado à imprensa.

O episódio causa estranheza e levanta dúvidas por ter ocorrido horas depois do presidente russo, Dmitri Medvedev, encerrar uma visita aos EUA, as autoridades americanas decidem revelar ter descoberto um esquema de espionagem da Rússia em solo americano e a prisão de dez dos onze indiciados.

O FBI afirmou que os agentes infiltrados eram parte de um grupo chamado de "ilegais" por Moscou e que adotaram identidades americanas para conseguir entrar em thinktanks e agências do governo americano.
A maioria dos supostos espiões era originalmente da Rússia e foram treinados para se infiltrar secretamente nos EUA. As acusações afirmam ainda que os membros dos "Ilegais" receberam vasto treinamento em comunicação codificada e como evitar serem pegos.

De tudo isso, chega-se à seguinte conclusão: Barack Obama e Dmitry Medvedev são dois presidentes que sonham com a paz entre os povos do mundo, mas, infelizmente, têm junto deles forças poderosas que não querem, a qualquer custo, a paz mundial e lutam para o mundo viver o status de “Guerra Fria” entre a duas maiores potências bélicas do planeta.

Por ANTONIO CARLOS LACERDA
ANTONIO CARLOS LACERDA é jornalista correspondente internacional da Imprensa Estrangeira no Brasill.
Autor do Coluna, "O Mundo sem Fronteiras" no Zwela Angola

21.6.10

O mundo todo está vibrando


Por Amanda Alves, Colunista
Autora da Coluna, "Divagações" no Zwela Angola

Uma energia diferente paira no ar dos trinta e sete países unidos por um desporto. O desporto das massas que faz parar tudo por uma partida de futebol. O futebol que une paixões e rivais. As pessoas mostram o seu lado patriótico de diversas formas e esquecem temporariamente todos os problemas e questões das quais vivem a reclamar de suas nações.

Se apaixonam novamente pelo seu país e encontram as mais diversas formas de o manifestar. As cores das bandeiras ganham nova importância e são
utilizadas e exploradas ao máximo. Os negócios crescem. O país que hospeda a Copa do Mundo se modifica para sempre. Ganha uma visão
nunca antes alcançada. Se reconstrói, cresce, prospera e se enche de gentes de todos os cantos do mundo, trazendo um pouco de cada tradição. É
impressionante como a cada quatro anos o Mundo se torna mais unido. Apesar da torcida pelo nosso país, todos se juntam em festa, de uma forma saudável
e alegre.

Países como o Brasil, eternamente apaixonados pelo futebol único que apresentam, enchem suas ruas de um verde amarelo infindável. Vizinhos se
unem mais do que em qualquer outro momento para tornarem a decoração perfeita para a grande torcida pelo país amado. Muitos se organizam e poupam
durante anos para poderem realizar o sonho de ver a selecção de perto, num estádio lotado de torcedores que envolvem os jogadores com um amor
contagiante.

Até os países conhecidos por terem um povo mais frio como a Alemanha, a Holanda e a Inglaterra, deixam de lado seu conservadorismo e dão ases à sua
paixão. Pintam os rostos, se reúnem e torcem desesperadamente pela sua nação querida. Os jogadores também se apaixonam por este momento. Serem escolhidos pelo seu
país para representá-lo na Copa é a maior honra que podem obter.

Sonham e lutam por isso durante todo o seu percurso. Quando são convocados se sentem plenamente realizados como profissionais e vibram juntamente com o seu povo
a cada vitória. Choram, se angustiam, sorriem, gritam, lutam, dão o seu melhor para não decepcionarem o seu país. Apenas um sai vencedor, mas todos
saem com um amor renovado pelas suas pátrias. Todos saem com a certeza que deram o seu melhor e que apesar de todos os defeitos que o seu país possa
ter, o amor por ele é incondicional e será renovado novamente daqui a quatro anos, na próxima Copa do Mundo.

Por Amanda Alves, Cronista
Autora do Coluna, "Divagações" no Zwela Angola, e Autora do blog: Divagações

17.6.10

Um solo pobre e um pobre povo


Por PEDRO VALLS FEU ROSA
Autor do Coluna, "TRIBUNA DO BRASIL" no Zwela Angola

A América Latina é riquíssima. Mas seu povo é pobre. A África é riquíssima. Mas seu povo é pobre. O sul da Ásia é riquíssimo. Mas seu povo é pobre. A pergunta é: o que há de comum entre estas três regiões? A linha do Equador.

E que tem o Equador a ver com a pobreza? Muito: de acordo com diversos estudos da ONU, o solo das regiões equatoriais é pobre em nutrientes essenciais à saúde, tais como selênio, zinco, cálcio, ferro, magnésio, etc.

Esta pobreza de minerais do solo influencia toda a cadeia alimentar. Ou seja, nossos alimentos têm menos nutrientes do que deveriam.

Por causa disso, de acordo com a Organização Mundial da Saúde, um brasileiro médio não supre sequer um terço das necessidades mínimas recomendadas de vitaminas e sais minerais.

Aos números: consumimos, diariamente, 0,83 mg de ferro (o mínimo recomendado é 10 mg), 45 mg de magnésio (o mínimo recomendado é 270 mg), 8,01 mg de zinco (o mínimo recomendado é 15 mg) e 75 mg de cálcio (o mínimo recomendado é 800 mg).

Aqui mesmo, no Espírito Santo, 35% a 40% da população apresenta deficiência de ferro no organismo.

E quanto às vitaminas? Encontrou-se uma deficiência de 78,59% de vitamina A, 22,24% de vitamina B1, 67,82% de vitamina B2, 65,86% de vitamina B6, 27,26% de vitamina B12 e 52,13% de niacina.

Este quadro dramático explica a grande incidência de algumas doenças que afligem o povo brasileiro. Não por acaso, o Brasil é o país com a maior quantidade de farmácias do mundo, com mais de 50 mil estabelecimentos instalados, o que resulta na incrível taxa de 3,34 pontos para cada 10 mil habitantes.

Aliás, segundo a Sociedade Brasileira de Nutrição, 48% dos pacientes internados nos nossos hospitais são desnutridos.

Fico, inclusive, a pensar em um amigo meu, aparentemente saudável, que caiu praticamente "tetraplégico" apenas por falta de potássio. Suprido o nutriente, ele saiu andando do hospital.

Além de doenças, a carência de vitaminas e sais minerais acarreta, comprovadamente, redução da expectativa de vida e dos anos produtivos, e queda de freqüência e aproveitamento no trabalho e na escola.

A propósito, cito um exemplo: pesquisadores norte-americanos constataram, recentemente, que crianças com carência de ferro aprendem apenas 50% do que lhes é ensinado.

Assim, não é coincidência que a Região Sul, cujo solo é mais mineralizado, tenha os maiores índices de produtividade, em contraste com as Regiões Norte e Nordeste. E também não é coincidência o fato de na Região Nordeste a estatura dos homens ser 5 centímetros menor e a das mulheres 6 centímetros menor, quando comparadas com a Região Sudeste.

Um aviso: a boa apresentação do alimento nada tem a ver com sua pobre qualidade em vitaminas e sais minerais - ele pode até ser bonito à mesa, mas é fraco em sua essência.

Isto significa que, dadas as características do solo brasileiro, teríamos que comer, todos os dias, 1 quilo de pão, 800 gramas de macarrão, 500 gramas de mandioca, 150 gramas de feijão e 200 gramas de arroz, só para atendermos as recomendações mínimas de vitaminas e sais minerais estabelecidas pela ONU e OMS. Convenhamos: nem um elefante conseguiria...

Este problema tem solução? Sim: um programa de mineralização do solo sério e de longo prazo, aliado a um controle científico dos alimentos vendidos. Isto já foi feito, e com sucesso, nos EUA, que hoje colhem os frutos desta política através de um povo saudável e produtivo.

Um detalhe: em doenças, cada Real gasto na prevenção economiza cinco outros em tratamentos. Pois bem, em nutrição cada Real gasto economizaria 86 outros consumidos em perda de produtividade, doenças, repetências escolares, aposentadorias precoces, etc.

Estes dados demonstram que brasileiros, africanos e asiáticos não são, e nem nunca foram, "preguiçosos" ou "menos inteligentes". Apenas têm sido mal-alimentados – afinal, "o homem é aquilo que come" (Feuerbach).

Por PEDRO VALLS FEU ROSA
Autor do Coluna, "TRIBUNA DO BRASIL" no Zwela Angola
PEDRO VALLS FEU ROSA é Desembargador do Poder Judiciário Brasileiro, Relator da Primeira Câmara Criminal do Tribunal de Justiça do Espírito Santo e Presidente do Tribunal Eleitoral do Espírito Santo.